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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Fitness ou Wellness: O que o seu cliente busca em sua Academia?




Vamos falar sobre a diferença que existe entre o fitness e o wellness. Como surgiram e o por quê dessa mudança? Vocês sabem o que é fitness e o que é wellness? E o por quê umas academias escolhem por uma prática ou por outra? Nobre (1999) cita em uma de suas publicações que o termo “academia” apenas se estabe­leceu definitivamente, no Brasil, no início da década de 1980. Porém, segundo ele, havia espaços semelhantes, mas com outros nomes como: “Ins­titutos de Modelação Física”, “Centros de Fisiculturismo”, “Clubes de Calistenia”, entre outros. As academias, antigamente, eram com pesos fundidos com cimento. Lembram-se disso? As pessoas pegavam brita, cascalho, areia e cimento e faziam os pesos. Os canos eram cortados e serviam de barras. Naquela época, as academias de ginástica não eram vistas como um negócio promissor em que se pudesse obter lucro e prosperar como empreendedor. No final dos anos 90, a Body Systems chegou ao Brasil com suas aulas pré-coreo­grafadas [aulas prontas], provocando um impacto significativo no mercado. Houve uma grande diversificação das modalidades e de outros produtos vendidos pelas academias. De acordo com Saba (2006), o fitness enfatiza a dimensão biológica. Esta palavra tem origem na junção dos verbetes “fit” [que significa apto] e “ness” [que quer dizer aptidão]. Na verdade, a expressão correta é physical fitness, ou aptidão física”. Saba apresenta a seguinte síntese a respeito do paradigma do fitness adotado pelas academias de ginástica: O fitness caracteriza-se pela ênfase no condicionamento físico do indivíduo. As academias surgiram tendo essa finalidade. Tanto é que muitos donos de academias eram halterofilistas, atletas, ou pessoas que, em geral, estavam envolvidas com práticas corporais. Com o desenvolvimento do ramo das aca­demias de ginástica como negócio, ou seja, com a boa capacidade de acumulação de capital apresentada por estas empresas, a visão, antes restrita ao fitness, foi sendo ampliada e aos poucos foram sendo incorporados outros enfoques para atingir o mercado de forma mais eficaz e também ampliar o público alvo. Saba (2006, p. 143) explica que o wellness “fortalece-se, aumentando cada vez mais a participação e a manutenção saudável de pessoas em programas de exercícios físicos”. Enquanto isso, o fitness com sua ênfase nos “aspectos puramente estéticos, representados pelo modelo da aptidão física, continua aumentando a desistência e promovendo a rotatividade nas academias” O wellness engloba o fitness. O conceito de wellness embora negue o conceito de fitness, também é composto por ele. O condicionamento físico não deixa de ser enfa­tizado, porém, é trabalhado em perspectivas mais amplas visando à qualidade de vida e o bem-estar. A estética não deixa de ser destacada, porém, é levada em consideração a saúde nessa busca pela estética. Assim, nas academias que seguem o wellness como paradigma, os professores se preocupam em transmitir conhecimentos, explicando para os alunos, por exemplo, prejuízos que podem causar a prática em excesso, os problemas do uso de anabolizantes, a importância da alimentação adequada, entre outras práticas. Dessa forma, o fitness não deixa de ser trabalhado, mas fica subsumi­do ao wellness. O nível de wellness de uma pessoa depende muito de suas escolhas. A prática do exercício físico é parte desse processo. O conceito de fitness está dentro do modelo wellness. Esse é o modelo que fortalece a permanência dos clientes nas academias e cria inúmeros vínculos além do estético. Estes exemplos revelam que o mercado já não se contenta mais com ações focadas exclusivamente no fitness. Busca-se uma visão mais ampla de atuação apoiada no well­ness (bem-estar). É fundamental que os gestores reformulem seus negócios para atender a esta demanda (SABA, 2006, p. 144-145). Esta quebra de paradigma trata de uma mudança determinada pela necessidade de melhoria de desempenho do negócio na acumulação de capital. Apresenta alguns outros as­pectos que são fundamentais para sua compreensão, todos eles relacionados com a necessidade de vender a mercadoria produzida, como ampliar o público alvo para a venda da mercadoria e aumentar a retenção ou aderência do cliente, concretizando uma segunda venda. Há, por exemplo, uma necessidade de ampliar seu público alvo, com as academias deixando de focar apenas na busca pela estética que estaria muito mais ligada às pessoas jovens e passando a priorizar homens e mulheres com idades mais elevadas e que buscam outros fatores além da estética. Percebe-se esse processo no posiciona­mento a seguir: O apelo para o corpo sarado já teve seu tempo na década de 1990. As pessoas hoje buscam, também, qualidade de vida, paz de espírito. Imaginem a foto de uma senhora no outdoor, fazendo ginástica e dizendo: “Osteoporose não tem vez na minha vida, exercício sim!” (PE­REIRA, 2005, p. 93). Podemos perceber, com o passar do tempo, as transformações ocorridas nas academias, onde o aluno não é simplesmente um aluno, é um cliente. A mercadoria não é produzida tendo como principal finalidade ser consumida, mas ser vendida. O professor não é simplesmente um professor, é um vendedor. Professor-vendedor e aluno-cliente em um ambiente onde a mercadoria exerce a função sedutora de atração e conquista. Referências: BERTEVELLO, Gilberto. Academias de ginástica e condicionamento físico – Sin­dicatos & associações. In: DA COSTA, Lamartine (Org.). Atlas do esporte no Brasil. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006. NOBRE, Leandro. (Re)projetando a academia de ginástica. Guarulhos, SP: Phorte, 1999. SABA, Fabio. Liderança e gestão: para academia e clubes esportivos. São Paulo: Phor­te, 2006. PEREIRA, Marynês. Administração sem segredo: sua academia rumo ao sucesso. São Paulo: Phorte, 2005 Escrito por Gabriel Baú


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